Eu surfo minha prancha. Não importa quão longe, não importa quão rápido. Não tenho destino. Vou aonde os ventos do acaso me carregarem. Conheci a impetuosa exaltação da vitória. Conheci a torturante dor da derrota. Mas eu nunca cessarei a busca por um oásis de sanidade neste deserto de loucura que os homens chamam de Terra. Porque o pior destino de todos, entre incontáveis mundos e infinitas estrelas, é estar sempre só. O fim.
The Silver Surfer #2 (1989), de Stan Lee e Moebius
Em 10 de março de 2012, o mundo perdeu Jean Giraud, mais conhecido como Moebius, uma das figuras mais lendárias da indústria mundial de quadrinhos. “Minha admiração por ele é total. Eu o considero um grande artista, tão grande quanto Picasso e Matisse”, disse, certa vez, o diretor de cinema (e grande fã de Moebius) Federico Fellini. Uma lenda reconhecendo outra.
“Ele é um talento único, dotado de uma extraordinária imaginação visionária que é constantemente renovada e nunca vulgar. Moebius perturba e consola. Ele tem a habilidade de transportar-nos para mundos desconhecidos, onde encontramos personagens inquietantes”, afirmou Fellini.
Jean Giraud foi, talvez, o principal representante dos quadrinhos europeus, ilustrando e eventualmente escrevendo inúmeras séries que foram sucesso de crítica e público. Trabalhou, ainda, no cinema, com storyboards e arte conceitual para diversos filmes, como Alien, Tron e O Quinto Elemento. Sua obra influenciou muitos artistas e profissionais de diferentes mídias ao longo do tempo.
Acima, você vê a página final de Surfista Prateado: Parábola, minissérie que contou com a colaboração de Stan Lee nos roteiros e Moebius nas ilustrações. A aclamada HQ ganhou o Eisner (o “Oscar dos quadrinhos”) de melhor série limitada em 1989.
O fim. Para a vida de Jean Giraud, mas não para sua obra e seu legado, que irão persistir por um longo tempo, encantando e influenciando muita gente ainda…